terça-feira, 19 de novembro de 2019

Como foi acampar pela primeira vez


Em um certo dia, coloquei a cabeça que queria acampar. Já tenho um amor por natureza desde nova, então a ideia de dormir ao ar livre e aproveitar um dia longe da civilização me parecia encantadora. Conheci um lugar incrível próximo à cidade Turiúba, uma pedreira "abandonada" que esconde uma lagoa imensamente linda, rodeada por uma natureza de tirar o fôlego. O homem interviu nessa criação, afinal trata-se de uma antiga pedreira onde aconteciam explosões e foi dessa forma que a lagoa nasceu, provavelmente inundada pela água da chuva, ou devido a cachoeira que existe ao lado - os moradores chamam de "Caidô" e levam muito a sério esse nome. Bom, decidi que lá seria o lugar perfeito para essa aventura - que eu não faria sozinha.


Eu, meu namorado e mais alguns amigos iríamos acampar na tal lagoa, um lugar lindo e longe de qualquer sinal de urbanização. Compramos a barraca, colchão inflável, combinamos a data e estava tudo decidido. Até que a vida, mais uma vez, fez o seu papel e mudou tudo.


Uma semana antes do nosso acampamento, eu e Matheus fomos para a pedreira com a família dele (o lugar se tornou um passeio constante para nós) e quando chegamos nos deparamos com uma pilha de pedras impedindo a entrada de qualquer veículo, o que acabou com a chances do acampamento acontecer lá.
Como sou uma pessoa persistente quando tenho uma ideia fixa na minha cabeça, propus que passássemos o dia na Pedreira e depois acampássemos em um Camping da cidade ao lado, mais conhecido como Prainha de Buritama.


A ideia foi bem aceita, porém nosso grupo que inicialmente era de oito pessoas, se tornou cinco.
O grande problema, talvez, foi escolher o feriado do dia 12 de outubro para a tal aventura. Ficamos um tempo na Pedreira, foi bem gostoso, mas logo tivemos que ir embora preocupados em conseguir um posto de combustível aberto na cidadezinha de Turiúba (devido ao feriado) e também para conseguir um quiosque decente na Prainha pra passarmos a noite e termos uma churrasqueira para fazer a comida.
No caminho da Prainha, o carro do meu casal de amigos quebrou e só descobrimos o ocorrido ao chegar no Camping. A sorte foi que o Matheus estava com uma corda, então com o nosso carro os puxamos para o local que iríamos acampar e decidimos que no outro dia tentaríamos encontrar uma solução para ir embora.


Se não bastasse esse perrengue todo com o carro deles, mais a noite eu e minhas duas amigas (Letícia e Stefani) decidimos que era uma boa hora para tomar banho. Matheus sugeriu que fossemos de carro, já que a Stefani dirige, para procurar um chuveiro disponível no Camping. Uma ótima ideia, se o carro do Matheus não decidisse morrer do outro lado de onde estávamos acampados e não ligasse mais nem com nossos pensamentos positivos. Mesmo girando a chave o carro não dava sinal de vida, mas as luzes ainda funcionavam.
Como eu já havia presenciado uma situação parecida em uma outra ocasião, percebi que precisava chamar o Matheus, já que ele conhece o próprio carro como ninguém e saberia o que fazer melhor do que nós. O único problema é que estávamos muito longe das nossas barras e o lugar era mal iluminado.


Encontrei uma pessoa corajosa dentro de mim que eu nem sabia que existia, deixei as meninas e corri (literalmente) para buscar o resgate - nesse caso, meu namorado. A história fica mais interessante quando o único esforço que o Matheus precisou fazer para o carro pegar, foi girar a chave - sim, da mesma forma que já havíamos feito umas oitenta vezes antes de eu ir chamá-lo.
Ainda passamos por outros desafios nessa noite, como a churrasqueira com grelha improvisada que derrubou todos os meus tomates assados, o arroz que não deu certo - tive que jantar apenas feijão de caixinha com tomates crus, mas estava gostoso - e a música alta até as três horas da manhã dos campistas das barracas vizinhas (não acampem em feriado!).


No final, aprendi que amei acampar. As aventuras enriqueceram nossa noite, e cada vez mais eu aprendo que as coisas acontecem simplesmente da única forma que deveriam acontecer. E tenho certeza que se o final de semana fosse perfeito, eu não aprenderia tantas coisas como aprendi com os imprevistos. Se não fosse a música alta até as três horas da manhã eu teria dormido cedo e não veria os barquinhos balançar a água, que brilhava com a luz da lua. Não veria o nascer do sol se pessoas não decidissem ligar novamente as mesmas músicas as cinco da manhã. Mas agora que eu já aprendi essa lição, espero que da próxima vez que decidirmos acampar não tenha música alta.

4 comentários:

  1. Ai, que caminhada linda de autoconhecimento! Amei os relatos e as noções maravilhosas das entrelinhas, como os momentos de saber contar mais consigo e os outros em que se sabe abrir as portas para ajudas alheias. Lindezura!

    semquases.com

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    1. Fico imensamente feliz que tenha enxergado dessa forma, foi um dia muito especial, e apesar de ter sido completamente diferente do que imaginamos, agregou muito conhecimento e valores na minha vida.

      Volte sempre <3

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  2. Que lugar mais lindooo.
    Tenho tanta vontade de acampar também, amo estar em contato com a natureza.

    www.blogresenhando.travel.blog

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